sexta-feira, 16 de maio de 2025

AVISO AOS CLIENTES:


Atualmente só estou trabalhando com fabricação de cavaquinhos e ukulelês e não estou mais aceitando nenhum tipo de serviço de conserto e regulagem.

Agradeço a todos pela compreensão.

Fabricando um coletor para o aspirador de pó

 Fiz um coletor de pó para a minha oficina, ele é um pouco diferente do padrão, pois não usei um ciclone e ainda projetei ele quadrado ao invés de cilíndrico, mas funcionou muito bem, usei compensado e pvc para fazer este projeto, está tudo aí no vídeo abaixo:



sábado, 22 de março de 2025

Álbum Paulinho da Viola - 1978 e a luteria brasileira


Quero agradecer à Rio Vintage Sound, de Maceió-AL, por conseguir para mim este maravilhoso disco do Paulinho da Viola. Já havia procurado em vários lugares e não tinha encontrado, mas navegando na internet achei a página deles no Instagram, eles possuem um acervo incrível, repleto de discos de vinil de diversos artistas e bandas, tanto nacionais quanto internacionais.

Vale a pena conferir o Instagram deles  https://www.instagram.com/riovintagesound/ e apoiar esse pessoal que mantém viva a nossa memória cultural através dos vinis!

Lançado em 1978 pela gravadora EMI, o álbum é um dos discos clássicos do mestre do samba Paulinho da Viola, além de incluir Coração Leviano, um dos maiores sucessos de sua carreira, o álbum se destaca pelos arranjos primorosos e pelas diversas canções que evidenciam o talento desse grande artista. 

Mas o que isso tem a ver com luteria, já que este blog é dedicado ao tema? A resposta é: tudo!

Paulinho da Viola também é luthier e aprendeu a construir cavaquinhos. Esse disco, aliás, é um dos poucos que fazem uma homenagem à nossa profissão: a capa e o encarte trazem fotos do processo de fabricação dos cavaquinhos da loja e fábrica Ao Bandolim de Ouro, responsável pelos renomados instrumentos Do Souto. A própria capa do álbum apresenta, em tamanho real, o desenho do tampo de um cavaquinho Do Souto, um detalhe que torna essa obra ainda mais especial.

Capa com o desenho do tampo.

Contracapa com a foto de um cavaquinho em construção.


Parte interna trazendo uma foto do cavaco da capa ainda em construção.

Frente do encarte com o Paulinho da Viola na oficina da Ao Bandolim de Ouro.



Verso do encarte com várias fotos da construção.

O encarte aberto com as músicas.




As músicas do álbum:

1 . Sentimento Perdido
Paulinho da Viola, Elton Medeiros

2 . Atravessou
Paulinho da Viola 

3 . Mudei De Opinião
Bubú da Portela, Casquinha 

4 . Coração Leviano
Paulinho da Viola 

5 . Sofrer
Paulinho da Viola, José Carlos Capinan

6 . Uma História Diferente
Paulinho da Viola

7 . Cenários
Jorge Mexeu, Catoni

8 . Pelos Vinte
Paulinho da Viola, Sérgio Natureza

9 . Sarau Para Radamés
Paulinho da Viola

10 . Apoteose Ao Samba
Mano Décio da Viola, Silas de Oliveira

11 . Nos Horizontes Do Mundo
Paulinho da Viola

12 . Miudinho
Bucy Moreira, Raul Marques, Domínio Público

















terça-feira, 19 de novembro de 2024

Fabricando uma lixadeira de cinta

 Há alguns meses projetei e fabriquei essa pequena lixadeira de cinta para a minha oficina, resolvi gravar o processo e colocar no youtube, segue o vídeo, espero que vocês gostem:



quinta-feira, 22 de setembro de 2022

Microtonalismo

 

Em 2013 a pedido de um cliente, transformei a escala de temperamento padrão 12-TET de um violão para uma escala microtonal de temperamento 31 ET com 50 trastes: https://www.joelsonluthier.com.br/2013/09/violao-eagle-transformacao-de-escala.html 

Em seguida fiz em outro violão a modificação para 19 ET e 31 trastes: https://www.joelsonluthier.com.br/2014/11/violao-tanglewood-transformacao-de.html

Por fim uma escala microtonal 29 ET e 29 trastes: https://www.joelsonluthier.com.br/2015/10/transformacao-da-escala-de-um-violao.html

Em meus estudos sobre os sistemas de afinação, descobri que existe muito mais complexidade em querer um instrumento totalmente afinado, não somente pelos cálculos matemáticos, mas também por diversos fatores como massa da corda, frequência, madeira e até pela força exercida pelas mãos do músico contra as cordas. Quanto mais perfeição buscamos em um sistema de afinação, mais nos deparamos com severos obstáculos.

A seguir farei um simples e pequeno resumo (pequeno mesmo, pois é um assunto para muitas páginas) sobre microtonalismo e os sistemas de afinação.

A sigla (em inglês) "TET" significa Tone Equal Temperament, mas na verdade, o termo correto é Equal Temperament (ET) ou 12-Tone Equal Temperament (12-TET). Também podemos nos referir como "EDO" (Equal Division of Octave), que significa "igual divisão da oitava". Para simplificar, usaremos a notação n-TET, onde n é o número de divisões iguais da oitava.

Antes de entrarmos no microtonalismo propriamente dito, precisamos falar sobre a nossa escala temperada atual, 12-TET, para que você possa compreender melhor o sistema microtonal que explicarei mais adiante.

A música é matemática.

Ao matemático e físico belga Simon Stevin (1548-1620) é atribuída a criação do temperamento igual. Temos que destacar também os estudos do matemático e músico chinês Zhu Zaiyu, por volta da mesma época, que também desenvolveu um sistema temperado. Precisamos falar ainda sobre as pesquisas de Vincenzo Galilei (1520–1591), renomado músico e teórico musical italiano do Renascimento, mais conhecido como pai do astrônomo Galileu Galilei. Há indícios de que Simon Stevin pode ter sido influenciado por seus estudos sobre o temperamento igual. Além deles, centenas de outros estudiosos desenvolveram outros sistemas que tornaram possíveis os cálculos e estudos de Simon Stevin.

Antes da escala temperada, a maioria dos músicos usava a escala pitagórica, criada pela escola do matemático grego Pitágoras (séc. VI a.C.), que deu as primeiras regras matemáticas para a música. A escola pitagórica descobriu a relação matemática da oitava (proporção 2:1) e desenvolveu seus estudos a partir daí, criando a escala diatônica com sete notas (cinco com intervalos de tons e duas com intervalos de semitons): Dó, Ré, Mi, Fá, Sol, Lá, Si, Dó. A repetição da primeira nota, porém mais aguda, foi chamada de oitava, por ser a oitava nota da sequência.

Mas a afinação pitagórica tinha alguns problemas, pois usando as quintas justas não se encontrava uma nota correspondente ao ciclo de oitavas, e isso comprometia a execução musical. Outro problema na escala pitagórica é a relação entre as frequências de seus tons e semitons: a soma entre dois semitons não coincidia com a frequência de um tom. Ainda nas quintas, havia um problema em uma delas que soava tão mal que foi apelidada de "a quinta do lobo", pois diziam que o som desta nota uivava de maneira incômoda.

Uma maneira de atenuar esses problemas foi criar a escala cromática, que consiste em dividir a oitava em doze semitons (embora, na prática, a escala cromática pitagórica já existisse, com semitons de tamanhos diferentes). A escala cromática melhorou a afinação, mas ainda não conseguia resolver alguns problemas. A partir daí, os matemáticos viram a necessidade do temperamento.

O temperamento

O complexo problema da desafinação, com as soluções matemáticas iniciais usando números racionais, tirou o sono de matemáticos e músicos por muito tempo, até que cálculos mais avançados com números irracionais propuseram uma melhor solução. Esses cálculos não resolviam completamente o problema, é verdade, mas se aproximavam do "totalmente aceitável", permitindo mais consonância entre as tonalidades. Esse novo cálculo se chamou "temperamento".

O temperamento consiste em ajustar a escala cromática sem que haja prejuízo na execução das músicas. É uma busca de sons que possam ser ajustados à pura afinação proposta pela série natural de harmônicos de um som. Sendo assim, nosso sistema temperado de 12 sons é apenas uma aproximação (ou uma "desafinação controlada") da série de harmônicos para alcançar a igualdade de semitons.

No período barroco, encontramos a escala mesotônica, que era temperada, mas com modulações restritas. Já no século XVIII, encontramos as escalas "bem temperadas" que possibilitavam o uso de todas as tonalidades, mas, por serem desiguais, tínhamos uma distribuição própria de intervalos em cada tonalidade, fazendo uma variação do grau de consonância e dissonância de cada tonalidade. Sendo assim, o que era mais próximo de Dó maior acabava tendo sonoridade mais consonante.

No século XIX, os temperamentos passaram a ser menos desiguais por causa da prática de modulações para tonalidades cada vez mais distantes. Isso gerou uma padronização do temperamento que possibilitou a modulação para todos os tons, sendo que todos os tons passaram a ter a mesma distribuição intervalar. Estava criado o temperamento igual (12-TET).

A esses intervalos foi atribuído o valor de 100 cents (pois a oitava tem 1200 cents), para facilitar alguns cálculos.

Ajustar os 12 sons (12-TET) em uma oitava já se mostrou, ao longo dos séculos, para matemáticos e músicos, algo muito difícil, pois a oitava é imutável: ela é um fenômeno da natureza. Ela simplesmente existe. No entanto, não somos limitados na maneira de dividir os sons dentro de uma oitava.

O que é o microtonalismo?

O microtonalismo é uma divisão múltipla dos sons da oitava. Ou seja, em vez de usarmos o valor de 100 cents para o semitom da divisão 12-TET, nós o reduzimos para um número qualquer, aumentando a quantidade de sons dentro de uma oitava.

Para calcular quantas divisões (n) teremos em uma oitava para um determinado intervalo i (em cents), usamos a fórmula:

n = 1200 / i

Por exemplo, se quisermos um intervalo de 60 cents, teremos: 1200 / 60 = 20 divisões (20-TET).

Obviamente estou fazendo uma explicação simplória. Qualquer redução dos cents precisa ser estudada para estabelecer sua real necessidade de existir. Seguem algumas escalas microtonais que já foram estudadas e executadas por alguns estudiosos do sistema:

15-TET, 17-TET, 19-TET, 22-TET, 23-TET, 24-TET, 27-TET, 31-TET, 41-TET, 53-TET, 72-TET, 96-TET. Essas três últimas já ficam complicadas de serem aplicadas em uma escala de violão, tornando-se completamente inviáveis para execução devido à pequena distância entre os trastes.

Se você olhou para alguma escala acima e quer saber qual é o tamanho do intervalo em cents, é simples. Digamos que você queira saber, por exemplo, a escala 15-TET: basta dividir 1200 por 15:

1200 / 15 = 80 cents por intervalo.

Teoricamente, uma escala microtonal poderia afinar melhor que a nossa escala padrão 12-TET, porque você teria melhores possibilidades de encontrar a nota mais adequada na hora de montar um acorde. Mas, na prática, é um pouco diferente, porque nosso cérebro está acostumado com o sistema 12-TET, e algumas notas microtonais nos soam como desafinadas.

Obs.: Existe também o macrotonalismo, mas esse sistema não é muito falado porque, normalmente, ele já está contemplado dentro dos sistemas microtonais (quando há poucos sons na oitava). O macrotonalismo é um aumento do intervalo (em cents) para reduzir o número de sons dentro de uma oitava. Por exemplo, se você usa um intervalo de 400 cents, teremos: 1200 / 400 = 3 sons por oitava.

Temos que lembrar que os estudos sobre microtonalismo continuam atualmente pelo mundo. Eu destaco os excelentes estudos do turco Tolgahan Çoğulu (https://www.microtonalguitar.org/), que faz incríveis instrumentos microtonais de trastes móveis, além de projetos acadêmicos sobre microtonalismo.

E aqui na América do Sul, mais precisamente em Lima, no Peru, temos um outro estudo bem interessante que é o sistema heptadecafônico (17-TET), desenvolvido pelo peruano Charles Loli Antequera (http://microtonalismo.blogspot.com/).

REFERÊNCIAS:

Dê uma olhada também nesses links se você desejar se aprofundar mais nesses sistemas de afinação:

https://www.wikiwand.com/es/Microtonalismo

https://www.apocatastasis.com/microtonalismo-afinaciones-alternativas.php

Temperamento musical.pdf

https://pt.wikipedia.org/wiki/Microtom

Música microtonal

Zhu Zaiyu

Simon Stevin

Pitágoras

revistas.ufg.br

http://www.proceedings.scielo.br/scielo.php?pid=MSC0000000102005000100016&script=sci_arttext

Se você quiser me seguir no instagram:  https://www.instagram.com/joelsonluthier/

quarta-feira, 21 de setembro de 2022

Marchetaria para rosetas dos meus instrumentos.

 Hoje vou mostrar um pouco da marchetaria que uso nas rosetas(mosaico) dos meus instrumentos. Existem centenas de técnicas e maneiras de se fazer uma roseta, você pode fabricá-las fora do tampo ou diretamente nele. A marchetaria usada também é algo de combinações e técnicas variadas, usando vários tipos de materiais como: madeira, pvc, madrepérola, etc



Essa é uma "roseteira", este tipo eu criei por volta de 2003 logo que iniciei a fabricação dos meus primeiros instrumentos.

segunda-feira, 2 de maio de 2022

Cigar Box Guitar 4

 Cigar Box Guitar 4

Esta é mais uma cigar box que fabriquei.


Corte das laterais da caixa.

domingo, 27 de março de 2022

Cigar Box Guitar 3

 Como eu disse nos posts anteriores nesta cigar box guitar eu resolvi fazer minha própria caixa ao invés de usar uma caixa de charutos para fazer o corpo. Isso é bem legal porque algumas vezes você não encontra um tamanho ideal em algumas caixas de charutos.

Comecei cortando as madeiras para fazer a caixa.

quarta-feira, 16 de março de 2022

Cigar box guitar 2

Mais uma cigar box guitar, essa eu fiz para um cliente que queria um instrumento com uma cara mais vintage, ele queria que o instrumento ficasse parecendo com cara de novo


Braço sendo moldado.

domingo, 13 de março de 2022

Cigar Box Guitar

 Essa é uma das Cigar box guitar que fabriquei há alguns anos, é um instrumento relativamente fácil de fazer e muito legal de tocar, eu fiz algumas para alguns clientes e  em breve vou postar aqui.


Ela é feita de uma caixa de charutos, os cubanos são os preferidos, mas você mesmo também pode fazer a sua própria caixa como vou postar em outros trabalhos mais a frente.