Atualmente só estou trabalhando com fabricação de cavaquinhos e ukulelês e não estou mais aceitando nenhum tipo de serviço de conserto e regulagem.
Agradeço a todos pela compreensão.
WhatsApp: (51) 98122-9381
Fiz um coletor de pó para a minha oficina, ele é um pouco diferente do padrão, pois não usei um ciclone e ainda projetei ele quadrado ao invés de cilíndrico, mas funcionou muito bem, usei compensado e pvc para fazer este projeto, está tudo aí no vídeo abaixo:
Quero agradecer à Rio Vintage Sound, de Maceió-AL, por conseguir para mim este maravilhoso disco do Paulinho da Viola. Já havia procurado em vários lugares e não tinha encontrado, mas navegando na internet achei a página deles no Instagram, eles possuem um acervo incrível, repleto de discos de vinil de diversos artistas e bandas, tanto nacionais quanto internacionais.
Vale a pena conferir o Instagram deles https://www.instagram.com/riovintagesound/ e apoiar esse pessoal que mantém viva a nossa memória cultural através dos vinis!
Lançado em 1978 pela gravadora EMI, o álbum é um dos discos clássicos do mestre do samba Paulinho da Viola, além de incluir Coração Leviano, um dos maiores sucessos de sua carreira, o álbum se destaca pelos arranjos primorosos e pelas diversas canções que evidenciam o talento desse grande artista.
Mas o que isso tem a ver com luteria, já que este blog é dedicado ao tema? A resposta é: tudo!
Paulinho da Viola também é luthier e aprendeu a construir cavaquinhos. Esse disco, aliás, é um dos poucos que fazem uma homenagem à nossa profissão: a capa e o encarte trazem fotos do processo de fabricação dos cavaquinhos da loja e fábrica Ao Bandolim de Ouro, responsável pelos renomados instrumentos Do Souto. A própria capa do álbum apresenta, em tamanho real, o desenho do tampo de um cavaquinho Do Souto, um detalhe que torna essa obra ainda mais especial.
Há alguns meses projetei e fabriquei essa pequena lixadeira de cinta para a minha oficina, resolvi gravar o processo e colocar no youtube, segue o vídeo, espero que vocês gostem:
Em 2013 a pedido de um cliente, transformei a escala de
temperamento padrão 12-TET de um violão para uma escala microtonal de
temperamento 31 ET com 50 trastes: https://www.joelsonluthier.com.br/2013/09/violao-eagle-transformacao-de-escala.html
Em seguida fiz em outro violão a modificação para 19 ET e 31
trastes: https://www.joelsonluthier.com.br/2014/11/violao-tanglewood-transformacao-de.html
Por fim uma escala microtonal 29 ET e 29 trastes: https://www.joelsonluthier.com.br/2015/10/transformacao-da-escala-de-um-violao.html
Em meus estudos sobre
os sistemas de afinação, descobri que existe muito mais complexidade em querer
um instrumento totalmente afinado, não somente pelos cálculos matemáticos, mas
também por diversos fatores como massa da corda, frequência, madeira e até pela
força exercida pelas mãos do músico contra as cordas. Quanto mais perfeição
buscamos em um sistema de afinação, mais nos deparamos com severos obstáculos.
A seguir farei um simples e pequeno resumo (pequeno mesmo, pois
é um assunto para muitas páginas) sobre microtonalismo e os sistemas de
afinação.
A sigla (em inglês) "TET" significa Tone Equal Temperament,
mas na verdade, o termo correto é
Equal Temperament (ET) ou 12-Tone Equal Temperament (12-TET).
Também podemos nos referir como "EDO" (Equal Division of Octave), que significa
"igual divisão da oitava". Para simplificar, usaremos a notação n-TET, onde n é o
número de divisões iguais da oitava.
Antes de entrarmos no microtonalismo propriamente dito,
precisamos falar sobre a nossa escala temperada atual, 12-TET, para que você
possa compreender melhor o sistema microtonal que explicarei mais adiante.
A música é matemática.
Ao matemático e físico belga Simon Stevin (1548-1620) é atribuída a criação do temperamento igual. Temos que destacar também os estudos do matemático e músico chinês Zhu Zaiyu, por volta da mesma época, que também desenvolveu um sistema temperado. Precisamos falar ainda sobre as pesquisas de Vincenzo Galilei (1520–1591), renomado músico e teórico musical italiano do Renascimento, mais conhecido como pai do astrônomo Galileu Galilei. Há indícios de que Simon Stevin pode ter sido influenciado por seus estudos sobre o temperamento igual. Além deles, centenas de outros estudiosos desenvolveram outros sistemas que tornaram possíveis os cálculos e estudos de Simon Stevin.
Antes da escala temperada, a maioria dos músicos usava a escala
pitagórica, criada pela escola do matemático grego Pitágoras (séc. VI a.C.),
que deu as primeiras regras matemáticas para a música. A escola pitagórica
descobriu a relação matemática da oitava (proporção 2:1) e desenvolveu seus
estudos a partir daí, criando a escala diatônica com sete notas (cinco com
intervalos de tons e duas com intervalos de semitons): Dó, Ré, Mi, Fá, Sol, Lá,
Si, Dó. A repetição da primeira nota, porém mais aguda, foi chamada de oitava,
por ser a oitava nota da sequência.
Mas a afinação pitagórica tinha alguns problemas, pois usando as
quintas justas não se encontrava uma nota correspondente ao ciclo de oitavas, e
isso comprometia a execução musical. Outro problema na escala pitagórica é a
relação entre as frequências de seus tons e semitons: a soma entre dois
semitons não coincidia com a frequência de um tom. Ainda nas quintas, havia um
problema em uma delas que soava tão mal que foi apelidada de "a quinta do
lobo", pois diziam que o som desta nota uivava de maneira incômoda.
Uma maneira de atenuar esses problemas foi criar a escala
cromática, que consiste em dividir a oitava em doze semitons (embora, na
prática, a escala cromática pitagórica já existisse, com semitons de tamanhos
diferentes). A escala cromática melhorou a afinação, mas ainda não conseguia
resolver alguns problemas. A partir daí, os matemáticos viram a necessidade do
temperamento.
O temperamento
O complexo problema da desafinação, com as soluções matemáticas
iniciais usando números racionais, tirou o sono de matemáticos e músicos por
muito tempo, até que cálculos mais avançados com números irracionais propuseram
uma melhor solução. Esses cálculos não resolviam completamente o problema, é
verdade, mas se aproximavam do "totalmente aceitável", permitindo
mais consonância entre as tonalidades. Esse novo cálculo se chamou
"temperamento".
O temperamento consiste em ajustar a escala cromática sem que
haja prejuízo na execução das músicas. É uma busca de sons que possam ser
ajustados à pura afinação proposta pela série natural de harmônicos de um som.
Sendo assim, nosso sistema temperado de 12 sons é apenas uma aproximação (ou
uma "desafinação controlada") da série de harmônicos para alcançar a
igualdade de semitons.
No período barroco, encontramos a escala mesotônica, que era
temperada, mas com modulações restritas. Já no século XVIII, encontramos as
escalas "bem temperadas" que possibilitavam o uso de todas as
tonalidades, mas, por serem desiguais, tínhamos uma distribuição própria de
intervalos em cada tonalidade, fazendo uma variação do grau de consonância e
dissonância de cada tonalidade. Sendo assim, o que era mais próximo de Dó maior
acabava tendo sonoridade mais consonante.
No século XIX, os temperamentos passaram a ser menos desiguais
por causa da prática de modulações para tonalidades cada vez mais distantes.
Isso gerou uma padronização do temperamento que possibilitou a modulação para
todos os tons, sendo que todos os tons passaram a ter a mesma distribuição
intervalar. Estava criado o temperamento igual (12-TET).
A esses intervalos foi atribuído o valor de 100 cents (pois a
oitava tem 1200 cents), para facilitar alguns cálculos.
Ajustar os 12 sons (12-TET) em uma oitava já se mostrou, ao
longo dos séculos, para matemáticos e músicos, algo muito difícil, pois a
oitava é imutável: ela é um fenômeno da natureza. Ela simplesmente existe. No
entanto, não somos limitados na maneira de dividir os sons dentro de uma
oitava.
O que é o microtonalismo?
O microtonalismo é uma divisão múltipla dos sons da oitava. Ou
seja, em vez de usarmos o valor de 100 cents para o semitom da divisão 12-TET,
nós o reduzimos para um número qualquer, aumentando a quantidade de sons dentro
de uma oitava.
Para calcular quantas divisões (n) teremos em uma oitava para um
determinado intervalo i (em cents), usamos a fórmula:
n = 1200 / i
Por exemplo, se quisermos um intervalo de 60 cents, teremos:
1200 / 60 = 20
divisões (20-TET).
Obviamente estou fazendo uma explicação simplória. Qualquer
redução dos cents precisa ser estudada para estabelecer sua real necessidade de
existir. Seguem algumas escalas microtonais que já foram estudadas e executadas
por alguns estudiosos do sistema:
15-TET, 17-TET, 19-TET, 22-TET, 23-TET, 24-TET, 27-TET, 31-TET,
41-TET, 53-TET, 72-TET, 96-TET. Essas três últimas já ficam complicadas de
serem aplicadas em uma escala de violão, tornando-se completamente inviáveis
para execução devido à pequena distância entre os trastes.
Se você olhou para alguma escala acima e quer saber qual é o
tamanho do intervalo em cents, é simples. Digamos que você queira saber, por
exemplo, a escala 15-TET: basta dividir 1200 por 15:
1200 / 15 = 80 cents por intervalo.
Teoricamente, uma escala microtonal poderia afinar melhor que a
nossa escala padrão 12-TET, porque você teria melhores possibilidades de
encontrar a nota mais adequada na hora de montar um acorde. Mas, na prática, é
um pouco diferente, porque nosso cérebro está acostumado com o sistema 12-TET,
e algumas notas microtonais nos soam como desafinadas.
Obs.: Existe também o macrotonalismo,
mas esse sistema não é muito falado porque, normalmente, ele já está
contemplado dentro dos sistemas microtonais (quando há poucos sons na oitava).
O macrotonalismo é um aumento do intervalo (em cents) para reduzir o número de
sons dentro de uma oitava. Por exemplo, se você usa um intervalo de 400 cents,
teremos: 1200 / 400 = 3
sons por oitava.
Temos que lembrar que os estudos sobre microtonalismo continuam
atualmente pelo mundo. Eu destaco os excelentes estudos do turco Tolgahan
Çoğulu (https://www.microtonalguitar.org/),
que faz incríveis instrumentos microtonais de trastes móveis, além de projetos
acadêmicos sobre microtonalismo.
E aqui na América do Sul, mais precisamente em Lima, no Peru,
temos um outro estudo bem interessante que é o sistema heptadecafônico
(17-TET), desenvolvido pelo peruano Charles Loli Antequera (http://microtonalismo.blogspot.com/).
REFERÊNCIAS:
Dê uma olhada também nesses links se você desejar se aprofundar mais
nesses sistemas de afinação:
https://www.wikiwand.com/es/Microtonalismo
https://www.apocatastasis.com/microtonalismo-afinaciones-alternativas.php
https://pt.wikipedia.org/wiki/Microtom
http://www.proceedings.scielo.br/scielo.php?pid=MSC0000000102005000100016&script=sci_arttext
Se você quiser me seguir no instagram: https://www.instagram.com/joelsonluthier/
Hoje vou mostrar um pouco da marchetaria que uso nas rosetas(mosaico) dos meus instrumentos. Existem centenas de técnicas e maneiras de se fazer uma roseta, você pode fabricá-las fora do tampo ou diretamente nele. A marchetaria usada também é algo de combinações e técnicas variadas, usando vários tipos de materiais como: madeira, pvc, madrepérola, etc
Como eu disse nos posts anteriores nesta cigar box guitar eu resolvi fazer minha própria caixa ao invés de usar uma caixa de charutos para fazer o corpo. Isso é bem legal porque algumas vezes você não encontra um tamanho ideal em algumas caixas de charutos.
Essa é uma das Cigar box guitar que fabriquei há alguns anos, é um instrumento relativamente fácil de fazer e muito legal de tocar, eu fiz algumas para alguns clientes e em breve vou postar aqui.