Violão Del Vecchio – Timbre Vox

Um cliente chegou em minha oficina com este violão e queria saber se o instrumento teria conserto.
Tinha na minha frente um instrumento bem destruído, e pensei em quanto tempo eu levaria restaurando este violão, devido a tantos problemas graves.
O estado do instrumento era precário, sujeira, frisos soltos, quebras diversas, descolagens, colagens mal feitas, restos de cola, esparadrapo no tróculo, um quebrado enorme que pegava as duas laterais e ainda passava pelo tróculo, havia uma quantidade enorme de defeitos, isso em uma análise superficial, mas, eu tinha certeza que em uma análise mais profunda, eu encontraria outros defeitos.

Vi na etiqueta interna do violão que ele era um Del Vecchio, e apesar de ser um instrumento de fábrica, alguns Del Vecchio antigos possuem um timbre muito bom, quase todos os que eu havia tocado, tinham um timbre, grave e alto, fato que me fez passar a gostar dos Del Vecchio e decidir por aceitar o desafio de consertar este instrumento, aliás eu prefiro instrumentos que estejam bastante destruídos para realizar uma reforma.

Logo que comecei a retirar o acabamento antigo, surgiu um belo pinho, gosto mais de instrumentos com a cor natural da madeira, a roseta estava muito castigada.

Retirando metade do acabamento, agente percebe melhor o quanto estava ruim.

Havia muita sujeira na parte interna.

A primeira coisa que fiz foi levá-lo para a parte externa de minha oficina, desinfetá-lo e fazer uma limpeza geral, inclusive na parte interna do instrumento, em seguida anotei todos os defeitos que ele possuía, contei 46.

Após a limpeza a sua aparência melhorou um pouco, decidi começar a reforma pelo tampo, retirando o acabamento antigo.

Quero deixar claro que não é correto retirar o acabamento original de instrumentos antigos, os instrumentos que são relíquias, devem ser preservados em seu estado, mesmo que estejam com uma aparência “envelhecida”, arranhões, etc.

Este era um caso especial, a retirada do acabamento era necessária devido a total destruição do mesmo, estava em estado crítico, se desmanchando, um aspecto de sujeira e não de envelhecimento.
Reformas gerais, com troca de acabamento original só devem ser feitas em último caso, quando o instrumento sofre danos em que fica quase impossível não mexer no acabamento, ou em instrumentos sem valor histórico, comercial, etc.
Uma troca de acabamento pode acabar com o timbre de um instrumento, e algumas vezes destruir a história, portanto, não permita que alguém troque o acabamento do seu instrumento sem antes saber se isso realmente é o mais indicado, essa avaliação deve ser feita por um luthier, que não esteja apenas interessado em ganhar seu dinheiro.
Já aconteceram casos de instrumentos raros serem totalmente lixados por luthiers interessados apenas em ganhar alguns “cobres” e perderem o valor histórico e comercial, fique atento.

Após lixar o tampo a roseta ficou limpa e pude ver como era bonita, em madre-pérola e madeira.

Após a retirada do acabamento antigo comecei a maratona de colagens, iniciei pelo tróculo onde havia o defeito principal e mais grave e depois passei para as laterais.

Tive que colar duas travessas internas que estavam soltas.

Em alguns dias  quase todas as colagens estavam prontas.

Comecei a lixar e limpar tudo inclusive os detalhes.

O resultado final foi este, após uma tonalização da cor das laterais, fundo e braço e acabamento encerado em todo instrumento:

O som deste instrumento realmente é bom, seu proprietário tinha motivos para querer vê-lo funcionando outra vez.

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